quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MAIS UM CORDEL SOBRE O BBB



Por Antonio Barreto*


I
Há bem pouco tempo fiz
O cordel do BBB,
Mas parece que o Bial
Não saiu do ABC,
Agora fiz o segundo
E não quero fuzuê!

II
Consultei um advogado
Pra saber as consequências.
Ele me disse: “Barreto,
Teu cordel tem procedências,
Manda ver nesse Bial
Que é cheio de indecências!

III
Eu mudei a estratégia
No modo de elaborar...
Nas ruas de Salvador,
Fui o povo entrevistar.
Então veja a opinião
Dessa força popular.

IV
Escutei a lavadeira,
O aluno, o professor
O juiz, o taxista,
A professora, o doutor
E por pouco não falei
Com o nosso governador!

V
Esses versos de clamor
Sei que não esquecerei
Pois o povo tem razão
Disso nunca me enganei.
Então veja a voz do povo
Conforme descreverei:

VI
— A TV Globo já fez
Escola de putaria
Com o tal do BBB
Que é pura baixaria:
Tem assédio, bebedeira
Tem racismo, tem orgia...

VII
— Para adquirir ibope,
O macabro do Bial,
Esse cabra bexiguento,
Antiético e imoral,
Inovou seu repertório
Com apelo sexual.

VIII
— O grande apresentador
Parece não ter virtude.
O espelho não lhe mostra
Sua pobreza de atitude,
Dando tanto mau exemplo
Para a nobre juventude.

IX
— Ele disse: “O amor é lindo”,
Na hora da “esfregação”,
Como se Morango e Ana
Fossem Eva e Adão:
Bem livres no “paraíso”
Daquela televisão!

X
— O Pedro Bial não sabe
Que as novas gerações
Carecem de mente fértil
A trazer boas lições,
Mas ele prefere ser
Mercador das ilusões.

XI
— A cada programa seu,
É um mar de insensatez,
Ele elogia as coisas
Que nem ele mesmo fez.
Acho que um psiquiatra
Pode lhe dar altivez.

XII
— Seja amigo do Brasil,
Chega de devassidão;
Seja amigo das crianças,
Reflita na educação
Dos verdadeiros HERÓIS
Que habitam a Nação.

XIII
— Certamente a vaidade
Fez Bial enlouquecer.
Do jeito que as coisas vão,
Ele logo vai dizer
Que sua missão na Terra
É o dinheiro e o poder.

XIV
— O seu programa parece
Um puteiro, uma zorra,
Um zoológico de humanos,
Tal Sodoma e Gomorra
E o brasileiro sensato
Não acha quem lhe socorra.

XV
— Isso aí tá muito bom,
Na Globo tá bom demais !
Vocês no Globo Rural
Querendo nos dar cartaz,
Mas o cordelista atento:
Nessa nunca vai atrás!

XVI
— Gostei do timbre de voz
E também da dicção
Impostada por Bial
Dando boa impressão...
Verde que te quero rosa,
Meu querido charlatão!

XVII
— Querido Pedro Bial,
Eu também sou jornalista,
Porém não me venderia
Ao mundo capitalista:
Esqueça tanto dinheiro,
Procure ser altruísta.

XVIII
— Não precisa explorar
O homossexualismo,
Além de ficar patente
Esse ranço de racismo,
Sem falar nas perversões
E do sensacionalismo.

XIX
— A família então precisa
De moral bem elevada.
Bons costumes às crianças,
Creio, não lhe custa nada.
Será que você tem filho,
Meu querido camarada?

XX
— Justo no horário nobre
Nosso lar é invadido,
E você com seu sorriso,
De apresentador sabido,
Vai deixando esse Brasil
Cada vez mais iludido.

XXI
— Procure ser mais sensato,
Há tempo para mudança,
Chega de botar dinheiro
Nessa maldita poupança,
Pois no juízo final
Sei que Lúcifer te alcança!

XXII
— Sei que a justiça divina
Vai baixar na tua aldeia,
Satanás te dá um abraço
E te chega logo a peia,
Pois somente dessa forma
Tua mente então clareia !

XXIII
A quem vamos apelar,
Aos filhotes do Marinho?
Ao capitão desta “Nave”,
Esse tal de “Seu” Boninho?
Vou parando por aqui
Para não morrer sozinho!

 

*oriundo das caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil, o autor é professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente. Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.

Veja outros cordéis de Antonio Barreto:
barretocordel.wordpress.com/

CORDEL "BIG BROTHER BRASIL: UM PROGRAMA IMBECIL"



Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro..
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
.
 Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
.
 Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
.
 O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
.
 Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
.
 Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
.
 Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
.
 Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
.
 Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
.
 A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
.
 Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
.
 Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
.
 Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
.
 É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
.
 Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
.
 A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
.
 E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
.
 E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
.
 E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
.
 A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
.
 Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
.
 Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
.
 Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
FIM

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

VII Conferência Internacional de Mediação


El programa científico presencial u online de la VIII Conferencia Internacional del World Mediation Forum – Spain 2012, propone la mediación y la resolución de conflictos en distintos ámbitos: familia, empresa, escuela, universidad, policial, penal, intercultural, nuevas tecnologías, organizacional, sanitaria, comunitaria, penitenciaria, políticas públicas, laboral y la calidad de la mediación: formación inicial y continua, distribuidas en 8 sesiones simultáneas, donde cada participante asistirá a la temática de su interés.

Maiores informações clique aqui.

domingo, 6 de novembro de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

2° Encontro Nacional Sobre o Judiciário e a Mediação - Sistemas e Técnicas a Serviço da Resolução de Litígios


A Escola Superior da Magistratura de Pernambuco (Esmape) promove, em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado (TJPE), o “2° Encontro Nacional Sobre o Judiciário e a Mediação - Sistemas e Técnicas a Serviço da Resolução de Litígios”. Com o objetivo de debater sobre as técnicas mais modernas de solução de conflitos e trazendo palestrantes internacionais, o evento acontece nos dias 2 e 3 de setembro, no Mar Hotel, no Recife-PE.

Maiores informações clique aqui.

Seminário de Direito na UNIBALSAS

Estive no último dia 12/8 na cidade de Balsas no Maranhão, para participar na condição de palestrante da V Semana Acadêmica de Direito da UNIBALSAS.

A palestra, como não poderia deixar de ser, versou sobre uma das minhas paixões "a mediação". Nesse sentido, lembrando os ensinamentos do professor PHD. José Luis Bolzan de Morais, procurei trabalhar a jurisconstrução a partir da mediação.

Desde já, agradeço o carinho e a receptividade do corpo discente e docente da UNIBALSAS.

É bom conhecer novos pesquisadores na temática. Um grande abraço e até logo!

Abaixo algumas imagens do evento:






quinta-feira, 14 de julho de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

PASSO FUNDO NA ROTA DAS CENTRAIS JUDICIAIS DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO DO CONSELHO DE MAGISTRATURA



O Conselho da Magistratura aprovou a criação das Centrais de Conciliação e Mediação para resolução de conflitos nas Comarcas de Passo Fundo, Pelotas, Caxias do Sul e Santa Maria.

A medida, aprovada em 29/3, objetiva cumprir disposições da Resolução 125/2010 CNJ*, além de atender solicitações de magistrados das entrâncias finais, onde postulavam disciplina de iniciativas na área. Assim, serão instalada estrutura semelhantes a de Porto Alegre, a partir de encaminhamento realizado pelo Corregedor-Geral da Justiça, Desembargador Ricardo Raupp Ruschel.

Os juízes das Varas onde tramitam os processos poderão encaminhar os feitos para conciliação junto à Central. Incumbirá a um magistrado Coordenador verificar a conveniência de a questão ser atendida pela Central, sempre levando em conta, também, a vontade das partes em aderir ao projeto. As audiências das Centrais serão realizadas na estrutura dos Juizados Especiais, ou outro julgado conveniente, em horário ocioso.

A Conciliação terá aplicação nas questões de superendividamento e outras situações que viabilizem o mesmo tratamento, envolvendo condomínios, consumidores, negócios jurídicos bancários. Projetos especiais, mediante prévio ajuste com os Juízos, bem como em ações que envolvam grandes litigantes ou ações de massa, onde qualquer das partes tenha manifestado propósito objetivo de realização de acordo. Por sua vez, a mediação será oferecida ao público que se dirige aos Juizados Especiais Cíveis e ao público que se dirige à Defensoria Pública e a entidades parceiras, mediante contato prévio com estas instituições.

Quando o magistrado que preside o processo envolvendo matéria cível ou de família entenda pertinente, também poderá ser adotada a prática da Conciliação ou da Mediação.

Mediante prévia autorização do Conselho da Magistratura, para facilitar o acesso da população à Justiça, a Central de Conciliação e Mediação poderá contar com postos avançados de Justiça Comunitária para a coleta de solicitações a serem realizadas diretamente pelos interessados e para a realização das sessões de conciliação e mediação, mediante convênios com entidades.

As instalações e o início de funcionamento das Centrais acontecerão apenas após viabilizadas as estruturas físicas e de servidores.

Ao final de um ano de trabalho, o funcionamento das Centrais será avaliado pela Corregedoria-Geral da Justiça que opinará sobre a conveniência da manutenção de seus serviços ou seu redimensionamento.
Coordenadores:
O Conselho também aprovou os nomes dos magistrados que exercerão localmente a Coordenação das Centrais, pelo prazo de dois anos: em Passo Fundo, caberá ao Juiz de Direito Luis Christiano Enger Aires; em Pelotas, ao Dr. Marcelo Malizia Cabral; em Caxias do Sul, ao Dr. Leoberto Narciso Brancher, e em Santa Maria, ao Dr. Rafael Pagnon Cunha.

Serão publicadas em alguns dias no Diário Oficial Eletrônico quatro Resoluções do Conselho da Magistratura, uma para cada Comarca, regulamentando o funcionamento das Centrais.

(FONTE: TJ/RS).

quinta-feira, 14 de abril de 2011

100 maiores litigantes do Brasil: alguma coisa está fora da ordem!

Para início de conversa, vamos observar apenas os 20 primeiros nomes divididos em públicos e privados:




PÚBLICOS (colocação)                                       PRIVADOS (colocação)*

INSS – 1º                                                             Banco do Brasil – 5º
CEF – 2º                                                               Banco Bradesco – 7º
Fazenda Nacional – 3º                                           Banco Itaú – 8º
União – 4º                                                             Brasil Telecon Celular – 9º
Estado do Rio Grande do Sul – 6º                           Banco Finasa – 10º
Município de Manaus – 11º                                    Banco Santander – 13º
Município de Goiânia – 12º                                    Banco ABN Amro Real – 14º
Instituto de Previdência do RS – 20º                      BV Financeira – 15
                                                                             Banco HSBC – 16
                                                                             Telemar – 17º
                                                                             Banco Nossa Caixa – 18º
                                                                             Unibanco – 19º
* incluindo as sociedades de economia mista.


O juiz Gerivaldo Alves Neiva, nos apresenta em seu blog

Abaixo a triste constatação, em brilhante denúncia deste Magistrado (sim, com M maiúsculo), que assume o seu papel, desviando-se do caminho da mediocridade que por vezes, atravesa a atuação de alguns magistrados. Nesse sentido José Ingenieros[1] em sua clássica obra, adverte que, “quando um medíocre é juiz, ainda que compreenda que seu dever é fazer justiça, submete-se à rotina e cumpre o triste ofício de jamais a efetivar, dificultando-a muitas vezes”.



[1] INGENIEROS, José. O Homem Medíocre. São Paulo: Quartier Latin, 2004.
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Eu não espero pelo dia
em que todos
os homens concordem.
Apenas sei de diversas
harmonias bonitas
possíveis sem juízo final...

Fora de Ordem, Caetano Veloso.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou recentemente um relatório informando o nome dos 100 maiores litigantes no judiciário brasileiro. Já imaginávamos quem seriam eles, mas faltava a informação oficial. Este relatório está disponível para download no próprio site do CNJ.
Nossa previsão estava correta: dos 20 maiores litigantes deste país, mais da metade é composta por grandes bancos, que lucram bilhões a cada balanço. A outra parte, menos da metade, também como imaginávamos, é composta por entidades do Estado, ou seja, quem mais litiga no Judiciário brasileiro são “caloteiros” ou “gananciosos” que assim agem por convicção de violar a lei em seu próprio benefício, e não por desconhecê-la.

Sabemos todos que estamos neste meio que o Estado e Bancos quase sempre são demandados por não cumprirem seus compromissos e obrigações (Estado) ou por violação ao direito do consumidor (Bancos). Fora disso, o Estado demanda quando executa contribuintes e os bancos quando cobram de consumidores em mora.

Com relação aos bancos, em qualquer hipótese, seja demandante ou demandado, são situações causadas por eles mesmos, ou seja, violam o direito do consumidor ou estipulam juros e taxas exorbitantes que seus clientes não podem pagar, resultando sempre em uma ação judicial, seja como demandado para reparar danos ou revisar cláusulas contratuais, seja como demandante para cobrar de clientes em mora.

Em favor dos bancos, o STJ já decidiu:

Súmula 380 - “A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor.”

Súmula 381 - “Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas.”

Súmula 382 - “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade.”

Súmula 385 - “Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.”

Além disso, entendeu o STJ, (Resp 1083291) que a postagem de correspondência ao consumidor para prévia notificação de inscrição em cadastro de proteção ao crédito não precisa ser feita com aviso de recebimento (AR). Sendo assim, é desnecessária a comprovação da ciência do destinatário mediante apresentação de aviso de recebimento (AR).

De forma sofisticada, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos define esta situação como sendo uma espécie de “privilégio do poder” dispensado pelo Poder Judiciário a determinadas categorias, ou seja, “o privilégio do poder junto à justiça, traduzido no medo de julgar os poderosos, de investigar e tratar os poderosos como cidadãos comuns”. (Santos, Boaventura Sousa. Para uma Revolução Democrática da Justiça. São Paulo: Cortez, 2007).

Ora, sendo ou não o caso de privilégio dos bancos e do Estado, a sensação que se tem, depois da divulgação do relatório do CNJ, é que o Poder Judiciário brasileiro vive a ilusão de distribuir a Justiça, mas não passa de cúmplice de um Estado “caloteiro” e de um sistema bancário “ganancioso” que viola o direito do consumidor, gerando lucros bilionários a cada balanço, apostando na nossa falta de estrutura e deficiência de pessoal.

E vamos todos nós vivendo esta ilusão: o Estado e os Bancos violam deliberadamente a lei em seu proveito próprio; aumenta a cada dia o número de ações ajuizadas neste país; as condenações são irrisórias para o consumidor e insignificante para os bancos; o CNJ exigindo que os Juízes, com as mesmas deficiências de sempre, cumpram metas para responder esta falsa demanda e, como não está sendo possível, nós juízes levamos a culpa e somos chamados de preguiçosos e descompromissados com a Justiça.

E assim, enquanto vivemos esta ilusão de que estamos distribuindo a Justiça, o Brasil já conta mais de meio milhão de pessoas presas, sendo que, segundo dados do Ministério da Justiça, 74,88% dos presos cursaram até o ensino fundamental; 71,39% dos presos tem de 18 a 35 anos; 75,02 % dos presos cometeram crimes contra o patrimônio ou tráfico e apenas 19,36% dos presos estão em atividades de laborterapia.

Certo, portanto, depois da publicação deste relatório, que se o Estado Brasileiro cumprisse com suas obrigações em relação aos cidadãos e se os bancos fossem obrigados a resolverem, em sua própria estrutura, grande parte dos problemas que causa (por exemplo, 90% das reclamações dos correntistas), o Judiciário Brasileiro teria condições de olhar para quem mais necessita de Justiça neste país: os pobres e excluídos.

Por fim, há momentos em que sinto uma terrível dificuldade em defender esta tal de “segurança jurídica”, o famoso “Estado Democrático de Direito” e a legitimidade do Poder Judiciário para distribuir a Justiça e manter a paz social neste país.

Parece, como diz Caetano Veloso, que “alguma coisa está fora da ordem...”